Sofrimento e Sangue -Markus DaSilva, Th.D.

crownÉ inadmissível que tantos cristãos, pessoas que se dizem salvas por Jesus, não levam a sério a palavra de Deus no que diz respeito à santidade, ao morrer para o mundo e ao abandono do pecado (2Co 7:1; Cl 3:3; Mt 5:48; At 3:19-20). Alguns eu sei que é por pura ignorância, simplesmente por não terem ninguém que os instrua. Possuem líderes inúteis, que não dão o exemplo de vida que deveriam dar. Mas outros ignoram sob o argumento de que estão debaixo da graça. Erroneamente creem que a graça cancela a necessidade da santificação e lhes dá autorização para saciar os desejos da carne (Ro 6:1-3). Chamam isso de liberdade em Cristo (Gl 5:13).
 
Sabemos muito bem que no final o que salvará o indivíduo será a cruz de Cristo. Sem a cruz, ele será lançado ao fogo eterno apesar das suas boas obras. Com a cruz, ele receberá a vida eterna apesar dos seus pecados. É a cruz, e não as nossas ações, que determina o nosso destino (Ef 2:8-9). Diferente da justiça humana, não conseguimos absolvição por bom comportamento. A nossa pena de morte já foi decretada no momento que nascemos. No Éden, a raça humana foi condenada; no Calvário, a pessoa que crê será perdoada (Ro 5:13-15).
 
Irmãos, falo agora de um mistério. Ninguém sabe exatamente como isto é possível, mas quando peço a Jesus para me libertar da punição eterna, o que estou pedindo é que ele sofra no meu lugar. A justiça de Deus exige que todo o pecado seja pago com sofrimento e sangue (Hb 9:22). Cada pecado que cometo, na carne ou em pensamento, é mais dor que o Filho sofre e que o Pai observa. Note que uso o presente e não o passado, pois, o Pai não está sujeito ao tempo como nós estamos. Isso é de suma importância para nós, vivos, que ainda podemos escolher entre o caminho do pecado e o da santidade.
 
Queridos, vocês acham que não faz diferença para o Pai quando o cristão peca? Não entendem que quando pecam o preço da sua liberdade sobe? (1Co 6:20; 7:23) Mais dor, mais sofrimento, mais agonia para o nosso amado Jesus. Oh maldoso, oh impiedoso, oh desumano, oh cruel é o cristão que rejeita a santidade e diz: “Posso pecar por causa da cruz”! Espero te ver no céu.

A surpreendente história de Hiroo Onoda

A surpreendente história de Hiroo Onoda

Onoda havia treinado como oficial de inteligência no curso de comando “Futamata” (二俣分校 futamata-bunkō) da Nakano School. Em 26 de dezembro de 1944 foi enviado à ilha Lubang nas Filipinas. Sua missão, descrita em nota por Major Yoshimi Taniguchi, era a de manter-se vivo. Um trecho da nota, em uma tradução livre, diz que “Isso pode levar três anos, pode levar cinco, mas aconteça o que acontecer, nós vamos voltar até você”. Foi lhe ordenado fazer qualquer coisa ao seu alcance para dificultar ataques do inimigo à ilha, inclusive destruir o campo de pouso e o cais no porto. Suas ordens também expressavam que sob nenhuma circunstância deveria se render ou suicidar-se.

Estava lá quando a ilha foi recuperada pelos aliados em fevereiro de 1945, ao final da guerra. A maioria das tropas japonesas morreu ou foi capturada por forças americanas. Onoda e diversos outros homens, entretanto, esconderam-se na selva densa.

Onoda continuou sua campanha, vivendo inicialmente nas montanhas com os três soldados. Um de seus camaradas rendeu-se às forças Filipinas, e os outros dois foram mortos em batalhas com as forças locais – em 1954 e em 1972 – deixando Onoda sozinho nas montanhas. Por 29 anos, recusou render-se, negando cada tentativa de convencê-lo de que a guerra tinha acabado com a rendição do Imperador. Em 1960, Onoda foi declarado legalmente morto no Japão.

Para sobreviver, Onoda roubava arroz e bananas de moradores locais, e abatia vacas para obter carne.

Encontrado por um estudante japonês, Norio Suzuki, Onoda recusou-se ainda a aceitar que a guerra tinha acabado a menos que recebesse ordens para baixar armas diretamente de seu oficial superior. Suzuki se prontificou a ajudar e retornou ao Japão com as fotografias de si mesmo e de Onoda como a prova de seu encontro. Em 1974, o governo do japonês encontrou o oficial comandante de Onoda, Major Yoshimi Taniguchi, que havia se tornado um livreiro. Taniguchi foi para Lubang, cumprindo a promessa de que o buscariam, houvesse o que houvesse, informou a Onoda da derrota do Japão na segunda Guerra e ordenou-lhe a depor armas:

De acordo com a ordem Imperial, o Exército da Área XIV cessou toda a atividade de combate.
De acordo com a ordem do Comando Militar nº A-2003, o Esquadrão Especial do Comando da Equipe está dispensado de todas as obrigações militares.
Unidades e indivíduos sob o comando do Esquadrão Especial devem cessar as atividades e operações militares imediatamente e submeter-se a o comando do oficial superior mais próximo. Se nenhum oficial puder ser encontrado, devem comunicar-se com as forças americanas ou filipinas e seguir suas diretrizes.[2]

O tenente Onoda foi, assim, devidamente isentado do dever, e portanto, jamais se rendeu. Emergiu da selva 29 anos após o fim da segunda guerra mundial e aceitou a ordem do oficial comandante vestindo seu uniforme e espada, com seu rifle Arisaka 99 ainda em condições operacionais, com 500 cartuchos de munição e diversas granadas de mão, bem como a adaga que sua mãe havia lhe dado em 1944 para a proteção.

Embora tivesse matado aproximadamente trinta habitantes Filipinos locais e engajado diversos tiroteios com a polícia, as circunstâncias destes eventos foram levadas em consideração da situação, e Onoda recebeu o perdão do presidente filipino Ferdinand Marcos.

Você como cristão já abaixou as “armas” da guerra contra as hostes espirituais do mal?

Meu Passado me Impede de Ser Pastor? – Dave Harvey

Já passou pela sua cabeça que talvez o seu passado o desqualificasse para o ministério? Será que existem coisas que você já fez que levam você a se considerar inadequado para ser um líder, pastor ou plantador de igreja?

Eu sei o que você está passando. Quando eu considerei pela primeira vez a possibilidade de ser chamado, eu lutei fortemente com a impressão de que eu era culpado e desqualificado a pregar o evangelho. Uma voz do passado me dizia que eu era impuro para pregar. Isso foi o que aconteceu.

Antes de eu me tornar um pastor, eu trabalhei como chefe da segurança em uma sofisticada loja varejista. Às vezes, as coisas eram bem monótonas. Todavia, ladrões criativos ocasionalmente despertavam uma certa adrenalina. Foi assim que aconteceu um dia quando eu vigiava através de uma janela espelhada um rapaz colocar uma mercadoria cara numa sacola e depois sair da loja. Eu tentei interceptá-lo ao sair da loja, mas ele largou o que roubou e correu, deixando-me sem escolha a não ser jogá-lo no chão. Ele permaneceu violentamente não-cooperativo, então eu me senti forçado a… digamos, organizar um encontro arranjado entre a cabeça dele e o concreto. A polícia chegou, levou-o em custódia e depois ao hospital para levar os necessários pontos na cabeça.

Não foi grande coisa, certo? Certamente, no monótono mundo da segurança comercial, aquele foi um ruim nas ruas. Contudo, para a maior parte dos patrulheiros, tal evento raramente seria qualificado como um sério trabalho policial.

Mas algo engraçado aconteceu. Quando eu comecei a considerar o meu próprio chamado pastoral, eu tive essa estranha e perturbadora impressão de que eu estava amplamente desqualificado ao ministério pois eu havia “derramado sangue”. Machucar a cabeça de alguém nem de longe se compara com o que o Rei Davi fez. Estranhamente, entretanto, foi aquela passagem em que mencionava que Davi havia “derramado sangue” (1 Crônicas 28:3) que repetidamente me acusava, como se eu fosse um criminoso impuro. Eu ainda não compreendo totalmente aquilo, todavia eu nunca me esquecerei da força daquelas palavras sobre a minha alma, aterrorizando-me e me condenando. Eu estava convencido que eu não poderia ir adiante por causa daquilo que me aconteceu no passado. Felizmente, um bom pastor me acompanhou e disse, da maneira mais apropriada: “Dave, você é um idiota”.

Graças a Deus por pastores que sabem como interpretar o passado!

Você consegue se relacionar com a minha história? Alguns homens explorando a questão do chamado pastoral são aterrorizados pelo seu passado. Os pecados do seu passado pregam para eles, levando-os a questionar se eles algum dia serão aptos a subir ao púlpito.

Caso você se encaixe nessa categoria, eu quero encorajá-lo chamando a sua atenção para um cara que provavelmente foi pior do que você – um homem com um passado bem sórdido. Seu nome era Paulo.

O Pregador com um Passado

Paulo tinha uma séria bagagem no seu passado. Em 1 Timóteo 1.13, ele diz “…noutro tempo, era blasfemo, e perseguidor, e insolente”. Antes de se tornar um Cristão, Paulo estava em uma violenta corridacontra Cristãos. Ele queria uma inquisição. Ele queria descreditar Cristo e engenhar o colapso do Cristianismo. Ele era um predador sangrento, brutal e religioso.

Porém, o chamado de Deus sobre Paulo foi irresistível, e num momento de tirar o fôlego e cegar os olhos, Deus resgatou Paulo dos seus pecados.

Mas Paulo nunca esqueceu quem ele era. Ele não tentou enterrar ou esquecer. No livro de Atos, Paulo compartilha a sua história em duas oportunidades diferentes (Atos 22.3, 26.9). Na verdade, Paulo frequentemente liderava através da sua história (Filipenses 3.4-14, 1 Timóteo 1.12-17).

Aqui está o meu ponto: Paulo foi capaz de enxergar o seu passado de uma maneira que não o condenava, destruía, desacelerava ou conduzia por um caminho de autoacusação. Ele compreendia que Cristo, de certa maneira, virou a página da sua história. A amargura do seu passado fez Cristo muito mais doce para ele.

Você vê os primeiros capítulos da sua vida através das mesmas lentes do evangelho?

A boa notícia é que o evangelho transforma o nosso pecaminoso passado. Ao invés de uma fonte de identidade, nosso passado se torna uma fonte de testemunho. Eu fui um dia assim, porém em Cristo, agora, eu sou assim! Eu era blasfemo, agora um amante de Cristo. Eu era um arrogante oponente de Deus, agora um humilde servo de Deus. O passado não nos define mais – Cristo e a imputação da sua justiça nos define. Como Sinclair Ferguson diz, “O determinante fator da minha existência não é mais o meu passado. É o passado de Cristo”. (Sinclair B. Ferguson, Espiritualidade Cristã: Cinco Visões sobre Santificação, pág. 57).

O Pregador que sabia quando esquecer

Em Filipenses 3.13-14 Paulo diz: “Mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para que as adiante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”.

Não é que Paulo negou e ignorou o seu passado. Ele simplesmente não deixou que o seu passado o definisse ou desmantelasse o seu ministério. Ele revelou como Cristo o transformou, e a sua alegria em Cristo o propulsionou adiante no ministério. Ele ousadamente se referia ao seu passado, não como fonte de orgulho, mas como testemunho do poder transformador do evangelho.

Se você está considerando o chamado para o ministério pastoral, você precisa examinar o seu passado através das lentes do evangelho. O seu passado não é irrelevante, ele simplesmente não é o fator determinante da sua vida. A justiça de Cristo – o seu passado! – é o fator determinante da sua vida. E ele é a realidade da imputada justiça de Cristo (Romanos 4.22-25) o qual silencia as acusadoras exclamações do passado.

Certamente um honesta discussão sobre o seu passado com um sábio pastor, como aquela que eu tive, o ajudará a guiar e refinar o seu senso de chamado. Pois sabedoria instantânea, considerações legais ou medidas protecionistas podem necessariamente restringir um infrator convicto de certas oportunidades ministeriais. Todavia, o seu histórico de pecados foi apagado na cruz e substituído pelo histórico da justiça de Cristo. Deus não vê mais o seu passado, Deus vê o passado de Cristo! E o Salvador que trabalha diariamente para nos salvar está sempre identificando boas obras para que nós andemos nelas, independente do nosso passado (Efésios 2.10).

Lembre-se, através do evangelho Deus vira a página da nossa história. Ele usa as tolices desse mundo para envergonhar os sábios. Ele usa o fraco para envergonhar o forte (1 Coríntios 1.27). Se você foi chamado a proclamar o evangelho, o seu passado provavelmente não é problema. Pelo contrário, você pode apontar para o seu passado e dizer: “Se Deus fez uma obra tão incrível em minha vida, ele pode fazer o mesmo por você”.

Se você está se sentindo acusado, pregue o evangelho para você mesmo e corra para o poder do Salvador que vira a nossa história!

 

Os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright pertencem a Editora Fiel.
Tradução: Paulo Santos
Revisão: Yago Martins

Como um Cristão Encara as Crises – Pr. Isaltino Gomes

Como um Cristão Encara as Crises

Meus irmãos, tende por motivo de grande gozo o passardes por várias provações, sabendo que a aprovação da vossa fé  produz a perseverança; e a perseverança tenha sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, não faltando em coisa alguma. (1:2-4)

Por que o homem bom sofre? Esta questão tem desafiado as mentes mais argutas e os corações mais piedosos. O drama de Jó trata desse tema, o sofrimento de um homem bom e puro. 0 profeta Habacuque também entrou em profunda crise espiritual e existencial, porque via a injustiça aprofundar-se, o homem desonesto e iníquo prosperar e o homem decente e trabalhador ser oprimido e esmagado. A questão é tão séria que tem levado alguns a perderem a fé na providência divina, desviando-se assim do evangelho. No Salmo 73, Asafe preocupou-se com o mesmo problema. Chegou, inclusive, a pensar em abandonar a Deus. Ele pensava: Melhor ser injusto do que justo. Talvez a questão se resuma com mais simplicidade na pergunta de um menino numa classe de Escola Bíblica: “Por que Deus não mata o Diabo a pauladas e acaba com o problema?”

Dificilmente poderemos responder à questão do sofrimento do justo. Na realidade, este não é o nosso propósito aqui. E preciso registrar algo, no entanto: os cristãos têm crises pessoais, e muitas vezes crises violentas.

Prolifera em nossos dias uma pregação falsa em nossas igrejas e que assim ensina: Siga a Cristo e seus problemas se acabarão.

Muitas pessoas dão crédito a tal ensinamento, envolvem-se com Cristo, passam por tribulações e se desorientam por completo.

Ouvi esta oração em um programa radiofônico evangélico: “Senhor, abençoa o teu povo, multiplicando o dinheiro de suas carteiras.” Isto não é o evangelho. E superstição. É confundir o evangelho com magia. Seguir a Cristo não é ter um seguro contra os problemas. Os cristãos têm problemas. E como têm!

“Tende por motivo de grande gozo o passardes por várias provações.” 0 que Tiago quis dizer com sentir-se alegre em meio às provações? A Bíblia na Linguagem de Hoje traduz este versículo assim: “Sintam-se felizes quando passarem por todo tipo de aflições.” Como pode a aflição trazer felicidade?

Nosso estilo de vida está todo orientado para o prazer. Tudo que produza prazer deve ser tentado. Nossa sociedade é hedonista e colocou o prazer como o bem máximo a ser alcançado.

Tudo o que é desagradável deve ser evitado. Há, em certo sentido, um paralelo dos dias em que vivemos com a sociedade mostrada em O Admirável Mundo Novo, de Huxley: as asperezas e dificuldades devem ser evitadas. Ser feliz, eis a aspiração máxima de todos nós! Os livros com títulos prometendo a apresentação de um segredo infalível, ensinando como viver de maneira agradável, sempre vendem bem. Assim, não fica muito interessante receber os problemas com alegria. Na realidade, não ter problemas é que é bom.

A ótica de Tiago é realmente extraordinária. “A aprovação da vossa fé produz a perseverança.” A Bíblia na Linguagem de Hoje traduz o versículo assim: “Quando sua fé vence essas provações, ela produz perseverança.” Pense bem: “Quando sua fé vence…” As dificuldades existem para serem vencidas. É possível vencê-las, não no poder da carne, mas no poder do Espírito, na força da fé. É nas provações que o caráter se enrijece e se torna mais forte. Quando houve o conflito militar entre a Argentina e a Inglaterra, pela posse das Ilhas Malvinas, culminando com a vitória inglesa, um analista de política internacional apresentou, entre as muitas razões da vitória inglesa, esta: Os ingleses têm tradição de guerra e de lutas. Há séculos que eles estão lutando em algum lugar. Estão acostumados a guerrear. Seus soldados não eram inexperientes, mas sim profissionais, homens traquejados.

Boa lição para nós, esta! As dificuldades vencidas nos fortalecem, para que enfrentemos outras que surjam, com mais capacidade e confiança.

“Produz a perseverança” . As versões mais antigas traduzem perseverança como “paciência” . A palavra grega usada é hypomoné, que significa “ação de perseverar, sofrer, suportar calma e heroicamente” . Não é, no entanto, uma atitude passiva.

Pelo contrário, é uma atitude dinâmica. Procuremos compreender o seu sentido. Hypomoné era uma palavra pouco usada no grego clássico, aplicada ao período de duração de um trabalho cansativo que alguém desempenhou sob pressão. Usava-se também essa palavra para adjetivar uma planta que, mesmo sob condições ambientais desfavoráveis, conseguia viver. O verbo derivado de hypomoné veio a significar “suportar, resistir” , em vista desses sentidos.

Em Tiago 1:3, a palavra “perseverança” é usada em conexão com a fé, sendo um produto da fé ativa. Somente a fé pode produzir perseverança. Isto porque perseverança não é o estoicismo humano, a manifestação de um caráter indômito por questão de temperamento. Perseverança não é também a manifestação de derrotismo, do tipo “deixa estar para ver como é que fica” . Tampouco é um fatalismo resignado. Hypomoné é aquela virtude que faz um homem continuar avançando, mesmo sob golpes. E a fé provada que produz hypomoné. Quando enfrentamos uma crise e a superamos, tornamos nosso caráter mais perseverante.

“Para que sejais perfeitos e completos, não faltando em coisa alguma” . O termo “perfeitos” merece explicação. Não significa uma ausência de defeitos. A palavra grega usada é téleioi, plural de téleios, que pode apresentar vários sentidos: perfeito, adulto, maduro, plenamente desenvolvido. Nos papiros antigos, esse termo era usado para designar a maioridade civil das pessoas, que se tornavam, assim, responsáveis. Era usado também para frutos maduros e para mercadorias em boas condições ou completas. Esta explicação permite-nos entender as exortações bíblicas a que sejamos perfeitos, principalmente a de Jesus em  Mateus 5:48, que diz: “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.” Há um nível de perfeição, de maturidade, para Deus, a absoluta. Há também um nível para nós. Evidentemente não se diz que devemos ser como Deus, mas que devemos alcançar o nível que de nós se espera. Entendemos, então, que na medida em que vamos vencendo as provações e fortalecemos a nossa fé, vamos nos tornando adultos espirituais.

Fugir das lutas não conduz à maturidade. Desviar-se ou ignorar os problemas, também não. Mas, enfrentá-los e vencê-los, isto sim, conduz a um estado de adultos, tanto espiritual quanto emocionalmente.

“Não faltando em coisa alguma” . A Bíblia na Linguagem de ‘Hoje verte esta expressão como: “sem faltar nada” . Este é um aspecto desafiador. Por que tantos cristãos vivem, hoje, vidas incompletas, onde falta tanto? Porque o enfoque da vida cristã está errado. Muitos há que foram atraídos para o evangelho por causa das bênçãos que ele pode dar-lhes, por causa do que podem receber de Cristo. Na realidade, isto não está de todo errado. Mas, o trágico é quando a vida cristã não é vista como uma luta, como um engajar-se com Cristo, e sim como fuga.

Como conseqüência, temos muito de um cristianismo piegas, meloso, de gente que transformou a igreja em um gueto onde se pode esconder do mundo e se refugiar das dificuldades. Oculta-se assim o verdadeiro cristianismo, que é forte, desafiador de estruturas de um mundo decadente, onde o cristão é, não um pedinte, mas um herói, um lutador, um agente transformador de uma sociedade corrompida. A preocupação maior de um seguidor de Cristo não é esconder-se do mal, mas combatê-lo, onde quer que ele se encontre. Nosso Senhor manifestou-se para destruir as obras do Diabo. (I João 3:8).

O “sem faltar nada” não é, evidentemente, uma promessa ou uma exortação cujo escopo se limita à realização material. 0 cristianismo surgiu exatamente entre a classe social menos favorecida. Entre os destinatários de Tiago havia um grande contingente de pobres. Uma pessoa firme em Cristo, enfrentando suas crises pessoais e vencendo-as, tornar-se-á cada vez mais uma pessoa equilibrada e segura, a quem não faltará ânimo para enfrentar as dificuldades da vida, sem desespero.

Aprendemos que o evangelho não é para se viver choramingando pelos cantos, lamuriando os problemas, constantemente derrotado, com tropeços aqui e acolá. Não é também um par de muletas para se arrastar pela vida, nem ainda um narcótico para amenizar as dificuldades que enfrentamos. 0 evangelho é um chamado para a maturidade, para lutar, para vencer e para crescer. E quando um servo de Cristo compreende o que Tiago quer dizer, descobre que a cada batalha vencida em sua vida está mais fortalecido em seu caráter. Fracos e indecisos nunca entraram para a história. O que caracteriza os heróis da fé em Hebreus 11 é exatamente sua coragem em permanecerem firmes, como quem vê aquele que é invisível (Heb. 11:27). O cristão não pode viver como um derrotado. Por isso, se você tem problemas e sofre, não entregue os pontos. Enfrente suas dificuldades com fé no Senhor. Nas lutas travadas está a firmeza.

As dificuldades e os sofrimentos fazem parte da vida. Não podemos impedi-los de desabarem sobre nós. Mas, superá-los é descobrir a beleza da vida e crescer emocionalmente como cristão.

Extraído do livro: Tiago nosso contemporâneo  – Pr. Isaltino Gomes (JUERP)

PERDOEM-ME O DESGOSTO! …ESTÁ INSUPORTÁVEL! – Caio Fábio

PERDOEM-ME O DESGOSTO! …ESTÁ INSUPORTÁVEL!

Perdoem-me, irmãos, eu confesso a tão aguardada confissão de minha boca. Sim, eu confesso que não posso mais deixar de declarar a minha alma. Para mim é questão de vida ou morte. Perdoem-me, irmãos, mas eu preciso confessar.

Sim, eu confesso…

Está insuportável. Se eu não abrir a minha boca, minha alma explodirá em mim.

É insuportável ligar a televisão e ver o culto que se faz ao Monte Sinai, que gera para escravidão. Os Gálatas são o nosso jardim da infância. Nós nos tornamos PHDs do retrocesso à Lei e aos sacrifícios. Pisa-se sobre a Cruz de Cristo em nome de Jesus. Insuportável! Seja anátema!

É insuportável ver o culto à fé na fé, e também assistir descarados convites feitos em nome de Deus para que se façam novos sacrifícios, visto que o de Jesus não foi suficiente, e Deus só atende se alguém fizer voto de freqüência ao templo, e de dinheiro aos sacerdotes do engano e da ganância. Insuportável!

É insuportável assistir ao silêncio de todos os dantes protestantes—e que até hoje ofendem os cultos afro-ameríndios por seus sacrifícios, sendo que estes ainda têm razão para sacrificar, visto que não confessam e não oram em nome de Jesus—ante o estelionato feito em e do nome de Jesus, quando se convida o povo para sacrificar a Deus, tornando o sacrifício de Jesus algo menor e dispensável. Insuportável!

É insuportável ver o povo sendo levado para debaixo do jugo da Lei quando se ressuscitam as maldições todas do Velho Testamento, e que morreram na Cruz, quando Jesus se fez maldição em nosso lugar. Insuportável!

É insuportável ver que para a maioria dos cristãos a Lei não morreu em Cristo, conforme a Palavra, visto que mantêm-na vigente como “mandamento de vida”, mas que apenas existe para gerar culpa e morte, também conforme a Escritura. Insuportável!

É insuportável ver e ouvir pastores tratando a Graça de Deus como se fosse uma parte da Revelação, como mais uma doutrina, sem discernir que não há nada, muito menos qualquer Revelação, se não houver sempre, antes, durante, depois, transcendentemente e imanentemente, Graça e apenas Graça. Misericórdia!

É insuportável ver a Bíblia sendo ensinada por cegos e que guiam outros cegos, visto que nem mesmo passaram da Bíblia como livro santo, desconhecendo a Revelação da Palavra da Graça do Evangelho de Deus. Insuportável tristeza!

É insuportável ver que os cristãos “acreditam em Deus”, sem saber que nada fazem mais que os demônios quando assim professam, posto que não estamos nesta vida para reconhecer que Deus existe, mas para amá-Lo e conhecê-Lo. Insuportável desperdício!

É insuportável enxergar que a mensagem do Evangelho foi transformada em guia religioso, no manual da verdade dos cristãos, mais uma doutrina da Terra. Insuportável humilhação!

É insuportável ver os que pensam que possuem a doutrina certa jamais terem a coragem de tentar vivê-la como mergulho existencial de plena confiança, mas tão somente como guia de bons costumes e de elevados padrões morais. Insuportável religiosidade!

É insuportável ver gente tentando “estudar Deus”, e a ensinar aos outros a “anatomia do divino”, ou a buscar analisar Deus como parte de um processo, no qual Deus está aprendendo junto conosco, não sabendo tais mestres que são apenas fabricantes de ídolos psicológicos. Insuportável sutileza!

É insuportável ver que há muitos que sabem, mas que nada dizem; vêem, mas nada demonstram; discernem, mas em nada confrontam; conhecem, mas tratam como se nada tivesse conseqüências… Insuportável…

É insuportável ver que se prega o método de crescimento de igreja, não a Palavra; que se convida para a igreja, não mais para Jesus; e que a cada cinco anos toda a moda da igreja muda, conforme o que chamam de “novo mover”. Insuportável vazio!

É insuportável ouvir pastores dizendo que o que você diz é verdade, mas que eles não têm coragem de botar a cara para apanhar, mesmo que seja pela verdade e pela justiça do evangelho do reino de Deus. Insuportável dissimulação!

É insuportável ver um monte de homens e mulheres velhos e adultos brincando com o nome de Deus, posando de pastores, pastoras, bispos, bispas, apóstolos e apostolas, sendo que eles mesmos não se enxergam, e não percebem o espetáculo patético no qual se tornaram, e o ridículo de suas aspirações messiânicas estereotipadas e vazias do Espírito. Insuportável jactância e loucura!

É insuportável ver Jesus sendo tratado como “poder maior” e não como único poder verdadeiro. Insuportável idolatria!

É insuportável ver o diabo ser glorificado pela freqüência com a qual se menciona o seu nome nos cultos, sendo que Paulo dele falou menos de uma dúzia de vezes em todas as suas cartas, e as alusões que Jesus fez a ele foram mínimas. No entanto, entre nós o diabo está entronizado como o inimigo de Cristo e o Senhor das Culpas e Medos. E, assim, pela freqüência com a qual ele é mencionado, ele é crido; e seu poder cresce na alma dos humanos, a maioria dos quais sabe apenas do Medo da Lei, e nada acerca da Total Libertação que temos da Lei e do diabo na Graça de Jesus, que o despojou na Cruz. Insuportável culto!

É insuportável ver seres humanos sendo jogados fora do lugar de culto por causa de comida, bebida, cigarro, roupa, sexualidade, ou catástrofes de existência. Isto enquanto se alimenta o povo com maldade, inveja, mentira, politicagem, facções, e maldições. Insuportável é coar o mosquito e engolir o camelo!

É chegada a hora do juízo sobre a Casa de Deus!

De Deus não se zomba, pois aquilo que o homem semear, isto também ceifará. A eternidade está às portas. Então todos saberão que não minto, mas falo a verdade, conforme a Palavra do Evangelho de Jesus.

Com tremor e temor, porém certo da verdade de Jesus,

Caio.