O Salvador espera e o mundo carece – Série Heróis da Fé

O Salvador espera e o mundo carece

“Foi quando Stanley Smith e Carlos Studd se hospeda­ram em nossa casa, que iniciei o maior período de bênçãos da minha vida. Antes eu era crente precipitado e incons­tante: às vezes ardia de entusiasmo, para depois passar dias inteiros triste e desanimado. Percebi que esses dois jo­vens possuíam uma coisa que eu não tinha: algo que lhes era uma fonte perene de sossego, força e gozo. Nunca me esquecerei de uma manhã, no mês de novembro, ao nascer o sol, quando a luz entrava pela janela a dentro do quarto, onde eu meditava sobre as Escrituras desde a madrugada. A palestra que tive, então, com os dois moços, influenciou o resto da minha vida. – Não devia eu fazer o que eles ti­nham feito?

“— Não devia eu ser, também, um vaso (apesar de ser barro) para o uso do Mestre?”

Assim escreveu o amado e santo pregador F. B. Meyer, sobre a mudança da sua vida que resultou em tanta glória para Cristo, na Terra.Iniciamos a leitura das biografias de alguns dos maiores servos de Deus. – Não devemos reler e meditar sobre a fiel vida de Savonarola, a estupenda obra de Lutero, o zelo incansável de Wesley, o grande avivamento de Edwards… enfim, sobre cada história? Não devemos dei­xar cada herói hospedar-se conosco, como Stanley Smith e Carlos Studd hospedaram-se na casa de F. B. Meyer, para nos falarem e influenciarem, transformando-nos profunda­mente para todo o resto da vida?

Isso é o que o Salvador espera e que o mundo carece.

O soluço de um bilhão de almas

Diz-se que Martinho Lutero tinha um amigo íntimo, cujo nome era Miconio. Ao ver Lutero sentado dias a fio trabalhando no serviço do Mestre, Miconio ficou penaliza­do e disse-lhe: “Posso ajudar mais onde estou; permanece­rei aqui orando enquanto tu perseveras incansavelmente na luta.” Miconio orou dias seguidos por Martinho. Mas enquanto perseverava em oração, começou a sentir o peso da própria culpa. Certa noite sonhou com o Salvador, que lhe mostrou as mãos e os pés. Mostrou-lhe também a fonte na qual o purificara de todo o pecado. “Segue-me!” disse-lhe o Senhor, levando-o para um alto monte de onde apon­tou para o nascente. Miconio viu uma planície que se es­tendia até o longínquo horizonte. Essa vasta planície esta­va coberta de ovelhas, de muitos milhares de ovelhas brancas. Somente havia um homem, Martinho Lutero, que se esforçava para apascentar a todas. Então o Salvador disse a Miconio que olhasse para o poente; olhou e viu vas­tos campos de trigo brancos para a ceifa. O único ceifador,que lidava para segá-los, estava quase exausto, contudo persistia na sua tarefa. Nessa altura, Miconio reconheceu o solitário ceifeiro, seu bom amigo, Martinho Lutero! Ao despertar do sono, tomou esta resolução: “Não posso ficar aqui orando enquanto Martinho se afadiga na obra do Se­nhor. As ovelhas devem ser pastoreadas; os campos têm de ser ceifados. Eis-me aqui, Senhor; envia-me a mim!” Foi assim que Miconio saiu para compartilhar do labor de seu fiel amigo.

Jesus nos chama para trabalhar e orar. É de joelhos que a Igreja de Cristo avança. Foi Lionel Fletcher quem escre­veu:

“Todos os grandes ganhadores de almas através dos sé­culos foram homens e mulheres incansáveis na oração. Co­nheço como homens de oração quase todos os pregadores de êxito da geração atual, tanto como os da geração próxi­ma passada, e sei que, igualmente, foram homens de in­tensa oração.

“Certo evangelista tocou-me profundamente a alma quando eu era ainda jovem repórter dum diário. Esse evangelista estava hospedado em casa de um pastor pres­biteriano. Bati à porta e pedi para falar com o evangelista. O pastor, com voz trêmula e com o rosto iluminado por es­tranha luz, respondeu:

“Nunca se hospedou um homem como ele em nossa ca­sa. Não sei quando ele dorme. Se entro no seu quarto du­rante a noite para saber se precisa de alguma coisa, encon­tro-o orando. Vi-o entrar no templo cedo de manhã e não voltou para as refeições.

“Fui à igreja… Entrei furtivamente para não perturbá-lo. Achei-o sem paletó e sem colarinho. Estava caído de bruços diante do púlpito. Ouvi a sua voz como que agoni­zante e comovente instando com Deus em favor daquela cidade de garimpeiros, para que dirigisse almas ao Salva­dor. Tinha orado toda a noite; tinha orado e jejuado o dia inteiro.

“Aproximei-me furtivamente do lugar onde ele orava prostrado, ajoelhei-me e pus a mão sobre seu ombro. O suor caía-lhe pelo corpo. Ele nunca me tinha visto, mas fi­tou-me por um momento e então rogou: ‘Ore comigo, ir-mão! Não posso viver se esta cidade não se chegar a Deus.’ Pregara ali vinte dias sem haver conversões. Ajoelhei-me ao seu lado e oramos juntos. Nunca ouvira alguém insistir tanto como ele. Voltei de lá assombrado, humilhado e es­tremecendo.

“Aquela noite assisti ao culto no grande templo onde ele pregou. Ninguém sabia que ele não comera durante o dia inteiro, que não dormira durante a noite anterior. Mas, ao levantar-se para pregar, ouvi diversos ouvintes dizerem: ‘A luz do seu rosto não é da terra!’ E não era mesmo. Ele era conceituado instrutor bíblico, mas não tinha o dom de pregar. Porém, nessa noite, enquanto pregava, o auditório inteiro foi tomado pelo poder de Deus. Foi a primeira gran­de colheita de almas que presenciei.”

Há muitas testemunhas oculares do fato de Deus conti­nuar a responder às orações como no tempo de Lutero, Edwards e Judson. Transcrevemos aqui o seguinte comentá­rio publicado em certo jornal:

“A irmã Dabney é uma crente humilde que se dedica a orar… Seu marido, pastor de uma grande igreja, foi cha­mado para abrir a obra em um subúrbio habitado por pobres. No primeiro culto não havia nenhum ouvinte: so­mente ele e ela assistiram. Ficaram desenganados. Era um campo dificílimo: o povo não era somente pobre, mas de­pravado também. A irmã Dabney viu que não havia espe­rança a não ser clamar ao Senhor, e resolveu dedicar-se persistentemente à oração. Fez um voto a Deus que, se Ele atraísse os pecadores aos cultos e os salvasse, ela se entre­garia à oração e jejuaria três dias e três noites, no templo, todas as semanas, durante um período de três anos.

“Logo, que essa esposa de um pastor angustiado come­çou a orar, sozinha, no salão de cultos, Deus começou a operar, enviando pecadores, a ponto de o salão ficar super­lotado de ouvintes. Seu marido pediu que orasse ao Senhor e pedisse um salão maior. Deus moveu o coração de um co­merciante para desocupar o prédio fronteiro ao salão, cedendo-o para os cultos. Continuou a orar e a jejuar três ve­zes por semana, e aconteceu que o salão maior também não comportava os auditórios. Seu marido rogou-lhe nova­mente que orasse e pedisse um edifício onde todos quantos desejassem assistir aos cultos pudessem entrar. Ela orou e Deus lhes deu um grande templo situado na rua principal desse subúrbio. No novo templo, também a assistência au­mentou a ponto de muitos dos ouvintes serem obrigados a assistir às pregações de pé, na rua. Muitos foram libertos do pecado e batizados.”

Quando os crentes sentem dores em oração, é que re­nascem almas. “Aqueles que semeiam em lágrimas, com júbilo ceifarão.”

“O soluço de um bilhão de almas na terra me soa aos ouvidos e comove o coração; esforço-me, pelo auxílio de Deus, para avaliar, ao menos em parte, as densas trevas, a extrema miséria e o indescritível desespero desses mil mi­lhões de almas sem Cristo. Medita, irmão, sobre o amor do Mestre, amor profundo como o mar; contempla o horripi­lante espetáculo do desespero dos povos perdidos, até não poderes censurar, até não poderes descansar, até não pode­res dormir.”

Sentindo as necessidades dos homens que perecem sem Cristo, foi que Carlos Inwood escreveu o que lemos acima, e é por essa razão que se abrasa a alma dos heróis da igreja de Cristo através dos séculos.

Na campanha de Piemonte, Napoleão dirigiu-se aos seus soldados com as seguintes palavras: “Ganhastes san­grentas batalhas, sem canhões, atravessastes caudalosos rios sem pontes, marchastes incríveis distâncias descalços, acampastes inúmeras vezes sem coisa alguma para comer, tudo graças à vossa audaciosa perseverança! Mas, guerrei­ros, é como se não tivéssemos feito coisa alguma, pois resta ainda muito para alcançarmos!”

Guerreiros da causa santa, nós podemos dizer o mes­mo: é como se não tivéssemos feito coisa alguma. A auda­ciosa perseverança é-nos ainda indispensável; há mais al­mas para salvar atualmente do que no tempo de Müller, de Livingstone, de Paton, de Spurgeon e de Moody.

“Ai de mim, se não anunciar o Evangelho!” (1 Coríntios 9.16).

Não podemos tapar os ouvidos espirituais para não ou­vir o choro e os suspiros de mais de um bilhão de almas na terra que não conhecem o caminho para o lar celestial.

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